Babalorixá Pai Gustavo D'logunédè

Filho do senhor José Luiz e dona Zélia, nasceu em novembro de 1983 Gustavo dos Santos Magalhães. Hoje, Pai Gustavo de Logun Ede. Nascido no bairro do Rio Comprido, Gustavo teve desde a infância sua história demarcada pelas mãos do sagrado. Seus pais não eram da religião dos orixás, mas o destino se encarregou de colocar em seus caminhos pessoas que o auxiliassem a encontrar os orixás.

Dona Ana Maria, uma mulher de Yemanja, rezadeira, mãe de santo de Umbanda conhecida e reconhecida na comunidade em que o menino Gustavo se criou foi a primeira influência da religião dos orixás que ele conheceu. Seus pais precisavam trabalhar e por volta de seus 04 anos a rezadeira começou a cuidar dele por conta disso. Dona Ana foi muito especial. Com ela Gustavo cresceu e aprendeu as noções iniciais da Umbanda. Com ela entrou em contato com rituais anuais feitos por Dona Ana, como a peixada para os pretos velhos e a entrega de doces de Cosme e Damião. A mãe de santo faleceu já bastante idosa e nesse período deixou seu terreiro como herança para o menino que ela viu crescer e apresentou a Umbanda. Todavia, o destino não permitiu que Gustavo herdasse, de fato, aquela casa. Seu caminho era outro. Com a morte de Dona Ana, a família determinou o fim do terreiro.

Mas a jornada de Gustavo no rumo do encontro do que a vida lhe reservava continuava. Dona Maria José, mãe de uma amiga, Cristina, e religiosa praticante, o levava sempre para visitar terreiros de Umbanda. E assim se foi fortalecendo o gosto pela prática religiosa. Ainda que tudo isso acontecesse escondido da sua família. Dona Zélia, sua mãe, não comungava desta fé. Não compreendia ainda seu vínculo com a religião. Mas o tempo lhe mostrou que esta era a religião que abraçaria seu caminho, tanto quanto de seu filho. Depois de muito passar mal, até mesmo na rua sem encontrar um diagnóstico médico que justificasse as ocorrências, os dois chegam em busca de auxílio a uma casa de Umbanda.

Em 1995, Gustavo e sua mãe começam a integrar a corrente mediúnica do Centro Espírita Caboclo Mata Virgem. Com a direção do Babalorixá Carlos de Oxóssi, Gustavo tem sua visão sobre seus caminhos espirituais ampliada. É lá que ele descobre através do jogo de búzios que é filho de Logun Ede, o menino caçador. Príncipe das águas. Como dizia Mãe Menininha do Gantois: "Santo menino que velho respeita". Gustavo fica nesse terreiro por 06 anos. Lá tem sua primeira incorporação. Foi lá que Pai Cipriano da Guiné começou a intervir, de maneira mais direta, na vida de Gustavo. Lá também outras entidades se apresentaram, dentre elas está o Exu Marabo e o caboclo Boiadeiro. A Tenda Espírita Caboclo Mata Virgem foi um caminho necessário para o crescimento espiritual de Gustavo. Mas no momento certo ele seguiu a caminhada. Ficou durante algum tempo sem vínculos Com nenhuma casa de Umbanda. Até que retornou a uma das casas de Umbanda que conheceu durante a infância.

Na casa de Pai Benedito de Angola ele retoma seus vínculos com um terreiro. Através do jogo do Babalorixá Anderson de Oxoguian, descobre-se a necessidade de se realizar alguns procedimentos mais intensos. Em 2004, na casa de Mãe Marinete de Xangô, herdeira de Pai Jerônimo e iyakekere de Gustavo, na época, foi feito o primeiro bori. E nesta época Pai Anderson assentou Logun Ede. E ali Gustavo firmou, ainda mais, seus laços com o Candomblé, que já vinha lhe rodeando.

Daí por diante seu olhar para a religião foi se ampliando cada vez mais. Pai Cipriano determinou que deveria ser providenciado o seu lugar. A sua casa. E em 2006 Gustavo compra um barracão, em Campo Grande. E ali começa sua batalha para estruturar a manter um Axé, tendo nessa época o apoio de Cristina de Oxum, amiga de infância, que o auxiliou sendo seu braço direito nos primeiros momentos e também o apoio da casa de seu pai santo.

Em 2007 os orixás levaram Gustavo ao Ilê Axé Iya Omin. Lá, pelas mão de Mãe Andréia de Oxum, Gustavo é iniciado no Candomblé. E ali inicia um processo de maior dedicação ao seu orixá. É feito para Logun Ede tudo que foi necessário, naquele momento, e naquela casa Gustavo ficou por alguns anos. Cresceu mais uma vez, fez amigos, descobriu parte dos mistérios do Candomblé, mas foi preciso continuar a caminhada. Em 2011 Gustavo se entrega ao Ilê Axé Omin Oin Oguian, casa do Babalorixá Anderson de Oxoguian, aquele que o conheceu ainda na infância e na juventude assentou seu orixá. Desde então Gustavo é filho desse Axé. E com a energia de suas entidades, com a força de vontade que lhe move e a determinação de um batalhador, Pai Gustavo de Logun Ede segue, dando continuidade a Tenda Espírita Pai Cipriano que vem crescendo e se fortalecendo ao longo do tempo.




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